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Mercosur: threatened by China

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Mercosur: threatened by China

altRubens Ricupero, a former Minister of Finance and Secretary General of UNCTAD, has warned that Mercosur, once an ambitious project for South American integration, is foundering

 In an article in the Folha de S. Paulo, Ricupero says:

“Now that the threat of the FTAA (Free Trade Area of the Americas), which would have dissolved Mercosur in an undifferentiated mass of integration subordinated to the USA, has been neutralized, the risk comes from China. The difference is that, thanks to the opacity that allows the Chinese to manipulate exchange rates, loans and export incentives, they don’t need to negotiate agreements to get round trade barriers. The result is that China occupies markets destined in principle to Mercosur manufacturers.

“China thus puts at risk the very principle of integration, which is to make industrialisation viable thanks to economies of scale derived from bringing together the markets of all the member-states. Without comnpetitive manufactured goods to export, the Latin nations can only promote that part of their economies in which they do not complement each other but compete: exporting minerals and agricultural products.”

The full article, in portuguse, is reproduced below.

Integração dos países do Mercosul tem ameaças vindas de fora e de dentro

RUBENS RICUPERO
ESPECIAL PARA A FOLHA

altA visita de Dilma Rousseff à Argentina não será a ocasião para relançar a integração porque mais uma vez não coincidem os ciclos políticos e econômicos dos países.

Do lado brasileiro, o governo começa, enquanto, do outro lado, termina. As políticas econômicas e os resultados em inflação, deficit orçamentário, câmbio e proteção à indústria são contrastantes e difíceis de harmonizar.
Não obstante, o encontro pode ser a oportunidade de reflexão sobre os dilemas do Mercosul, que enfrenta ameaças de fora e de dentro.

De fora, afastado o perigo da Alca, que teria dissolvido o bloco na geleia da integração subordinada aos EUA, o risco provém da China. 
A diferença é que, graças à opacidade que lhes permite manipular câmbio, empréstimos e favores tributários para estimular exportações, os chineses não precisam negociar acordos para passar por baixo de qualquer barreira.

O resultado é que a China ocupa mercados destinados em princípio à indústria dos parceiros do Mercosul. A China põe assim em risco o próprio pressuposto da integração: viabilizar a industrialização de cada país graças aos ganhos de escala derivados da soma dos membros. 

Sem manufaturas competitivas para exportar, o que resta aos latinos é acentuar o aspecto das economias em que são concorrentes, não complementares: o de exportadores de commodities minerais e agropecuárias.

Na medida em que a China se torna o motor do avanço das exportações para todos, desaparece outro objetivo da integração, que é aumentar o comércio dentro da zona. 

A ameaça de dentro se origina da frustração com projeto que estancou. Após atingir o pico em 1997-98 (17%), o comércio intrazona caiu. As vendas dos parceiros a terceiros se expandem muito mais rápido do que dentro do bloco. Nem o grupo nem o mercado brasileiro se revelaram capazes de proporcionar aos sócios demanda que lhes possibilitasse diversificar e desenvolver as economias.

Diante disso, a Argentina optou pelo unilateralismo: protege seus interesses sem ligar para regras. A resposta do Brasil é contemporizar. 
Falta iniciativa para pôr fim aos casuísmos e renovar o conceito da integração. 

Será preciso partir de realidade inexistente na fundação do bloco: a China e a acentuação da dependência de Brasil e Argentina das commodities. Integrar concorrentes na exportação de commodities não faz sentido.
A fim de sair do dilema, os dois países terão de, finalmente, enfrentar o desafio da sua persistente falta de competitividade. 

RUBENS RICUPERO foi embaixador nos EUA e na Itália e ministro da Fazenda